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Segurança: sobre estádios e boates.

Ricardo Araujo

Boates e estádios tem muito em comum. São locais que reunem muitas pessoas (relativamente ao tamanho do espaço), lidam com entretenimento, e um tipo de “negócio” que, para ser bem sucedido, depende de, entre várias outras coisas, muita segurança. Mais do que isso. De um complexo plano de gerenciamento de riscos.
Mas as semelhanças param por aí.
Estádios são equipamentos construídos “sob medida” para o fim a que se destina. Futebol ou qualquer outro esporte. É construído em centro de terreno (em sua expressiva maioria), com seu entorno totalmente liberado e projetado para possuir saídas de emergência capazes de evacuar o público em até 10 minutos, além de muitas outras características. Outro fator é que o cliente paga antes, e o consumo interno tem alternativas tecnológicas que não ocorre com boates.
Boates funcionam em instalações improvisadas, em lojas, galerias, e outros tipos de imóveis comerciais, em grande parte cercadas por outros imóveis em toda a volta, e uma única saída (comprometendo o tempo de evacuação), que se “justifica” pelo temor do calote. Um local onde a maioria absoluta das pessoas ficam em pé circulando, o que facilita a superlotação, e que qualquer pequena confusão pode gerar um conflito de grandes proporções. Dono de boate que não preza a segurança, está a um fio de fracassar no seu negócio. No caso de Santa Maria, mesmo que estivesse com o “alvará” em dia (seja lá o que isso pudesse significar), o fato de possuir apenas 1 acesso para entrada e saída, já apresenta um potencial de risco altíssimo. O que deveria acontecer é o impedimento prévio de que uma boate pudesse funcionar naquele local. A legislação existe. Falta fiscalização e prolifera a corrupção.
Em termos de estádios, e especialmente dos novos estádios em vias de inauguração no país, a possibilidade de tragédias torna-se remota na medida em que os equipamentos são planejados para que isso seja minimizado. Ausência de grades, cercas, paredes, acessos estreitos, circulação interna vertical deficiente, e até fossos em muitos casos, fazem toda a diferença (obviamente agregadas à comunicação e sinalização eficientes, câmeras, pessoal de apoio altamente treinado, gestão eficiente de bilheteria etc).
Por isso, sou conhecido como adversário encarniçado das chamadas “gerais” (me chamam de “elitista”), que considero um retrocesso total em termos de segurança, especialmente em jogos de futebol. Retirar cadeiras, com possibilidade de faturamento maior, sob o argumento paternalista de que o “povão” precisa de um espaço barato para se manifestar, é um erro grave. Esses espaços acabam sendo ocupados por torcedores de “organizadas”, que provocam brigas e obrigam o gestor do equipamento a gastar mais com segurança. Como calcular o prejuízo na imagem da nova arena do Grêmio com essa famigerada “geral”, que já contabiliza diversas confusões em apenas 2 eventos ?
Em resumo, um eficiente plano de gerenciamento de riscos reduz ao mínimo a ocorrência de “acidentes”, seja em estádios, seja em boates, pois acidentes são ocorrências imprevisíveis. O que aconteceu no Rio Grande não foi acidente. Foi crime.

FONTE: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/novas-arenas/2013/01/29/seguranca-sobre-estadios-e-boates/

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