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Grupo de Eike vence licitação e assume Maracanã ainda este mês

Odebrecht e Eike Batista venceram a concorrência pelo controle do Maracanã. Nesta quinta-feira, o grupo formado pela construtora, o bilionário brasileiro e a multinacional AEG teve todos os seus documentos aprovados pelo governo do Estado do Rio de Janeiro. Agora, só aguarda a assinatura do contrato com o governo do Rio para administrar o estádio mais famoso do país.

De acordo com o secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, isso deve ocorrer até junho. “No dia 2 de junho, no amistoso da seleção, o contrato estará nas mãos do concessionário”, afirmou ele, em entrevista após o resultado.

Odebrecht, AEG e IMX, empresa de Eike, compõem o Consórcio Maracanã SA. Juntos, eles entraram como favoritos na polêmica licitação de concessão do Maracanã. Enfrentaram como único concorrente o Consórcio Complexo Esportivo e Cultural do Rio de Janeiro, formado pela OAS SA, Stadion Amsterdam e Lagardere Unlimited (leia mais sobre os dois consórcios abaixo).

No dia 16 de abril, o consórcio de Eike e Odebrecht apresentou a melhor proposta financeira para controlar o Maracanã por 35 anos. Ofereceu R$ 181,5 milhões ao governo, divididos em 33 parcelas anuais de R$ 5,5 milhões. O Consórcio Complexo Esportivo e Cultural do Rio ofereceu R$ 155,1 milhões (33 prestações de R$ 4,7 milhões).

Já no final do mês, o governo do Rio divulgou as notas das propostas técnicas dos dois concorrentes. Eike e Odebrecht novamente apresentaram o melhor plano de administração do estádio e ampliaram sua liderança na concorrência. Depois da análise das propostas financeiras e técnicas, o Consórcio Maracanã obteve 98,26 pontos. Já o seu concorrente alcançou 94,46 pontos.

Sabendo desse resultado, nesta manhã, a comissão de licitação do Maracanã abriu os documentos de habilitação do Consórcio Maracanã SA. Durante três horas, técnicos da Secretaria Estadual da Casa Civil avaliaram certidões e outros papéis apresentados pelo grupo. Os aprovaram e declararam o resultado da concorrência.

O Consórcio Complexo Esportivo e Cultural poderia contestar o resultado da licitação. No entanto, seus representantes informaram na sessão desta quinta que não pretendem contestar o resultado anunciado.

“Esse é um momento muito importante na história do Rio de Janeiro e do Maracanã”, complementou Fichtner. “O resultado da licitação foi excelente. Temos certeza que o Maracanã será bem administrado.”

Privatização

A privatização do Maracanã foi anunciada pelo governo do Rio de Janeiro no ano passado. Em outubro, foi apresentada a minuta do edital de licitação. Essa minuta foi elaborada com base em um estudo de viabilidade econômica elaborado pela IMX, de Eike, que se uniu a Odebrecht na concorrência pelo complexo esportivo.

Naquela época, o governo do Estado estimava receber cerca de R$ 7 milhões por ano da empresa que assumisse o Maracanã. Esse valor, assim como todo o processo de privatização já era contestado por políticos e manifestantes, tanto é que a audiência pública para debate da proposta de privatização realizada em novembro teve muita em confusão e protesto.

Isso não abalou os planos do governo, que deu andamento a licitação. Em fevereiro, foi publicado o edital da concorrência. O documento foi contestado duas vezes pelo Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MP-RJ), os quais apontaram favorecimento da IMX, entre outros problemas na concorrência.

O UOL Esporte já noticiou, inclusive, que o presidente da IMX, Alan Adler, negociou a administração de áreas do Maracanã antes mesmo da licitação ser oficialmente lançada. IMX e governo do Rio, no entanto, negaram qualquer acordo prévio sobre o Maracanã.

Decisões liminares da Justiça chegaram a suspender a concorrência, mas foram derrubadas pela Justiça. Ainda hoje, entretanto, uma decisão da Justiça impede que a vencedora da licitação assuma o controle dos camarotes do Maracanã, que já haviam sido negociados com outra empresa antes da licitação.

“Nós vamos continuar discutindo isso em juízo”, comentou Fichtner. “Eles pagaram por um fusquina e agora querem andar numa Ferrari.”
Administração
A nova administradora do Maracanã deve assumir o controle do estádio após a Copa das Confederações. Além de manter e explorar o complexo esportivo, ele terá de fazer obras necessárias para adequar o espaço para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016. É estimado um investimento de R$ 594 milhões no complexo.

Parte desse dinheiro será usado na demolição do Parque Aquático Julio Delamare, Estádio de Atletismo Célio de Barros e Escola Municipal Friedenreich. Todas essas demolição também são contestadas por atletas, treinadores, federações esportivas, políticos e pais de alunos da escola.

Quando o resultado da licitação for confirmado pelo governo, o Consórcio Maracanã SA terá que fechar acordos com dois times do Rio para que eles joguem no Maracanã. Pelo estudo de viabilidade da privatização, é estimada uma redução de 45% no número de partidas realizadas no estádio.

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