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EUA montam estratégia para ‘roubar’ Copa de 22 do Qatar

Os Estados Unidos começam a se mover, nos bastidores, para se apresentarem como alternativa ao Qatar caso à Copa do Mundo de 2022 seja retirada do país asiático.

Devido às altas temperaturas no verão do Qatar, que em junho e julho chega a enfrentar ondas de calor na casa dos 45 a 50 graus, federações de futebol da Europa têm discutido a hipótese de antecipar a Copa para janeiro/fevereiro. A federação inglesa, por exemplo, foi uma das que se manifestaram a favor da ideia, embora a Premier League, que reúne os principais clubes do futebol inglês, seja radicalmente contra.

Aproveitando a polêmica em torno do assunto, os norte-americanos tentam se viabilizar como alternativa a abrigar a Copa de 2022 e têm mantido contato com ligas e federações europeias, asiáticas e especialmente com representantes da Conmebol, que reúne os países da América do Sul, e da Concacaf, que representa os da América Central e do Norte.

Apesar de oficialmente negar os contatos e o lobby pela Copa nos Estados Unidos, o presidente da federação norte-americana de futebol, Sunil Gulati, que se tornou membro do Comitê Executivo da Fifa, tem defendido que todos os países filiados à entidade sejam consultados sobre possível mudança no calendário se a Copa for mesmo no Qatar.

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Gulati, que é professor de economia da Universidade Columbia, em Nova York, uma das principais dos Estados Unidos, quer que a discussão seja feita o mais rapidamente possível e costuma dizer a seus pares que uma alteração no calendário não seria impossível, mas é muito difícil e envolve uma gama enorme de interesses conflitantes.

Tem o apoio do belga Michel D’Hooghe e do guatemalteco Rafael Salguero, ambos membros do Comitê Executivo da Fifa, além do México, que já descartou a hipótese de ser alternativa para abrigar o evento. Décio de Maria, presidente da liga de futebol mexicano, afirmou, via assessoria, que mudar o calendário teria consequências muito sérias que devem ser discutidas no mundo todo:

– Virou uma tradição termos a Copa no meio do ano. Se ela passar para o início do ano, mesmo que apenas em 2022, será um transtorno para muitos clubes e países. É algo que tem um custo enorme e a discussão não pode ficar restrita à Europa. Só no México temos dois torneios no ano que teriam de mudar de data, fora playoffs no final do ano, coincidindo com o período de preparação da seleção se a Copa começar logo em seguida – afirmou o dirigente.

Na América do Sul, chilenos e colombianos têm discutido o tema, além dos uruguaios, via Eugenio Figueredo, que comanda a Conmebol, mas brasileiros e argentinos por enquanto têm evitado comentar a questão. Oficialmente o Brasil, via Ricardo Teixeira, que tinha vaga no Comitê Executivo da Fifa quando o Qatar foi escolhido sede da Copa, apoia o torneio no país asiático. Com a renúncia de Teixeira, Marco Polo Del Nero assumiu seu lugar.

Em Zurique, onde fica a sede da Fifa, além da preocupação com a questão do calendário de 2022, que acabou adiada para o ano que vem, outra questão preocupa. Ativistas e organizações ligadas a direitos humanos têm acusado o Qatar de usar trabalho escravo, além de o país proibir a prática do homossexualismo, o que já gerou uma série de questionamentos a Joseph Blatter.

Tanto o atual presidente da Fifa quanto Michel Platini, que comanda a Uefa, entidade que dirige o futebol europeu, e pretende se apresentar como sucessor de Blatter, foram favoráveis à Copa no Qatar.

Vale lembrar que as eleições para os Mundiais de 2018, que será na Rússia, e 2022, no Qatar foram marcadas por denúncias de corrupção e suspeitas de compras de voto.

Nos bastidores, Blatter e Platini têm criticado a postura dos norte-americanos, lembrando que nos Estados Unidos em junho/julho o calor também é muito forte e que isso provocou muita reclamação de algumas seleções durante a Copa de 1994, que aconteceu no país.

Mas a briga pelo calendário e especialmente pelo local onde será o Mundial de 2022 ainda promete. Pelo jeito está só começando.

Os ingleses também teriam interesse na Copa, embora tenham menos força nos bastidores do que os Estados Unidos, já que entraram em conflito não só com Joseph Blatter, presidente da Fifa, como com Michel Platini, presidente da Uefa, a entidade que dirige o futebol europeu, ambos defensores da Copa no Qatar.

EUA FORAM DERROTADOS PELO QATAR

O Qatar é um país de 1,6 milhão de habitantes e quer ser o primeiro do Oriente Médio a receber uma Copa. Ganhou as eleições contra os próprios Estados Unidos, além de Austrália, Coreia do Sul e Japão, que também se candidataram.

Na primeira rodada de votação, ficou com 11 votos, sendo eliminada a Austrália, com apenas 1. Na segunda, teve 10 votos, caindo fora o Japão, com 2. Na terceira, voltou a receber 11 votos, deixando eliminados os sul-coreanos, com 5. A vitória veio no último escrutínio, quando teve 14 votos contra 8 dos Estados Unidos.

Os ingleses, que denunciaram compra de votos para escolha das sedes de 2018 e 2022, tentaram receber o Mundial de 2018, perdendo para a Rússia.

Um dos problemas do Qatar é ter altíssimas temperaturas no meio do ano, quando acontece o evento, mas o país afirma que os estádios terão tecnologia especial para diminuir a temperatura em 15 a 20 graus.

Diante de protestos de muitos países que são contrários à Copa no Qatar, Joseph Blatter montou uma força-tarefa para discutir a questão, que só irá se pronunciar depois da Copa de 2014, no Brasil.

FONTE: ESPORTES – O POVO ONLINE

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