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COPA 2014: MINISTRA DO MEIO AMBIENTE COMENTA AÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

A sustentabilidade é uma das marcas da preparação brasileira para a Copa do Mundo da FIFA 2014. Desde a certificação ambiental obrigatória dos estádios como condição para obter financiamentos do BNDES até iniciativas de reaproveitamento de resíduos, reciclagem e compensação de emissões, várias são as ações pensadas para que o megaevento sirva de marco para políticas públicas atentas às questões do meio-ambiente e das mudanças climáticas. Nesta entrevista, a ministra Izabella Teixeira comenta os principais desafios de sua pasta a 500 dias da Copa.

Sustentabilidade

A gente tem uma câmara técnica dedicada à questão do meio ambiente e sustentabilidade. Esse arranjo de governança dá um destaque à questão de sustentabilidade não só na forma tradicional, que a gente pode pensar na questão do destino adequado de resíduos sólidos, no comportamento de coleta seletiva, de reciclagem, mas coloca no centro a questão da mudança do clima, as emissões associadas a quem participa da Copa, às construções, a todo o movimento associado à Copa. Essas emissões terão que ser compensadas ou mitigadas e, para isso, estamos fazendo um inventário nas cidades que vão sediar a Copa. Esse inventário pega espectadores, construção, dinâmica de operação dos estádios, manutenção e vai trabalhar a questão de emissões de gases do efeito estufa. Talvez seja essa a primeira Copa que pega todo o pacote olhando a questão da mudança do clima.
Presença dos orgânicos

Há uma preocupação que acho bonita do ponto de vista de um mundo que precisa ser mais sustentável, que tem a ver com bem-estar, saúde e inclusão social. É a proposta da produção de alimentos orgânicos trabalhando com o pessoal da agricultura familiar. De tal maneira que você tenha uma Copa mais saudável não só para os atletas, mas para aqueles que estarão nas cidades-sede, participando dos eventos.

Foto: Danilo Borges/Frame de vídeo/Portal da Copa#
Parques da Copa

Temos ainda uma ambição que é usar a Copa para ser o evento que marca o novo momento da política ambiental do Brasil, com a abertura dos parques brasileiros para uso público. Uma abertura estruturada num diálogo permanente com as políticas de turismo. Hoje você tem inciativas importantes, como o Parque Nacional do Iguaçu, que é uma referencia mundial. As pessoas chegam ao Brasil para visitar as cataratas. A gente quer esse modelo aplicado em vários parques. Temos aí um projeto-piloto com 27 unidades nas cidades-sede. A Copa é uma provocação estruturada e estruturante para um novo momento de agenda para a questão ambiental e de sustentabilidade e a inserção do brasileiro e daqueles que visitam o Brasil na conservação da natureza.
Certificação ambiental

É a primeira vez que essas edificações, todos os estádios, tudo aquilo em torno da Copa, vai ser objeto de certificação ambiental. Um processo internacional – a iniciativa Leed –, rebatendo com o selo que o Ministério do Meio Ambiente deverá colocar e certificar nesse processo. A gente chama de primeiro passo para o que vai acontecer no Brasil daqui para frente em relação à Olimpíada e outros grandes eventos. Você vai usar a certificação ambiental no ciclo de sustentabilidade dentro da formulação do projeto, implantação, destinação final e a sua manutenção. O esporte é um ótimo canal para isso e a Copa tem essa visibilidade de mostrar um país que está crescendo, procura crescer, quer incluir cada vez mais socialmente e quer proteger o meio ambiente quer.
Foto: Danilo Borges/Frame de vídeo/Portal da Copa

Resíduos sólidos e reaproveitamento

Há um foco muito dirigido em dois aspectos estratégicos. Um, a destinação adequada dos resíduos sólidos e o desafio que o Brasil tem de erradicar os lixões. Portanto, as cidades-sede buscarem ter aterros sanitários com destinação adequada, com modelos inovadores de gestão dos resíduos sólidos, tanto o lixo úmido quanto o lixo seco. Associado a isso, há a discussão sobre implantar prioritariamente nas cidades-sede mecanismos de logística reversa, que envolvem não só a participação dos catadores, mas a responsabilidade de quem produz o resíduo, retira o resíduo do meio ambiente e dá a ele destinação adequada, que é a reciclagem ou reaproveitamento, com inclusão social, geração de emprego e desenvolvimento de tecnologias. Nós temos exemplos de equipamentos urbanos e até de assentos para estádios a partir de garrafas pet. Em vez de pet entupir bueiros, é usado para produzir bancos, cadeiras plásticas, que vão ser usados por quem frequenta as cidades-sede da Copa.
Campeões verdes

Eu acho que as nossas ambições são do tamanho do povo brasileiro, da alegria do povo brasileiro, e essa ambição com certeza vai nos fazer campeões do mundo novamente. O importante é que seremos campeões verdes, green champions – como gostam de falar –, não só da melhor Copa, da mais sustentável, com todo um aprendizado que fica para o Brasil e para a sociedade pós-Copa. Não só para grandes eventos, mas mudando a maneira de fazer políticas públicas. Isso é super importante, é legado. Embora seja “ecoansiosa” com o futebol, acho que o Brasil vai para mostrar não só seu talento no futebol, mas no ecofutebol.
Compensação de emissões

Nós temos que entender os caminhos mais eficientes de compensação. Talvez o maior desafio que temos à mesa é que mais de metade das emissões da Copa estão associadas ao transporte aéreo. Tem uma cultura política de convencer todos os que venham ao Brasil que na realidade estejam responsáveis pelo menos voluntariamente a contribuir para mitigar suas emissões. Isso é um aprendizado para os donos de empresas aéreas, para aquilo que será o debate a partir de 2013, de um novo acordo climático, da responsabilidade que todos temos em relação à redução de emissões.

Fonte: Portal Copa 2014 – http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/500-dias-para-copa-ministra-do-meio-ambiente-comenta-acoes-de-sustentabilidade

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