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Construtoras entram em campo

As empresas do setor se preparam para ganhar dinheiro com a gestão das arenas esportivas, depois da conclusão das obras

Por Luciele VELLUTO

O Maracanã, um dos templos sagrados do futebol mundial, ganhou um verdadeiro banho de loja. Mas a reforma do principal palco da Copa das Confederações e da Copa do Mundo de 2014 foi além das arquibancadas, da intrincada estrutura metálica que sustenta sua cobertura e da grama de cor verde-azulada, da espécie Bermuda Celebration, nativa da Austrália. A gestão do sexagenário estádio também mudou. Desde o dia 5 de maio, quem administra o “Maraca” é um trio que pode ser considerado uma espécie de ataque dos sonhos de qualquer gestor: a construtora Odebrecht, a IMX, do bilionário Eike Batista, e a americana AEG, do setor de entretenimento. O contrato tem validade por 35 anos e estudos realizados pelo governo fluminense mostram que o estádio pode gerar uma receita anual de R$ 154 milhões.

“A experiência internacional da AEG é importante nesse processo”, diz o consultor da Trevisan Gestão do Esporte, Fernando Trevisan. Para ele, a busca de sócios especializados em entretenimento é a melhor alternativa para as construtoras que estão investindo pesado na gestão de arenas, segmento no qual a empreiteira baiana é uma das mais atuantes. Em Salvador, sua terra natal, a construtora, em associação com a conterrânea OAS, cuida da Arena Fonte Nova, além de administrar a Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, cidade da região metropolitana do Recife. Elas já renderam uma bolada de R$ 200 milhões, referente aos direitos de “naming rights”, assinado com a cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava.

A quantia paga pelo batismo dos dois estádios será desembolsada ao longo de 20 anos. Dos 12 palcos da Copa do Mundo, sete já contam com uma empreiteira entre seus gestores. É o caso da Galvão Engenharia, que, além de construir a Arena Castelão, de Fortaleza, se tornou a administradora do espaço em parceria com a Gestão 7, no início de janeiro. “É um novo campo de atuação para a empresa”, afirma Sílvio Andrade, presidente da Arena Castelão. E os resultados já começam a aparecer. Neste ano, o estádio já recebeu 25 jogos de futebol, além do show de Paul McCartney, que reuniu cerca de 50 mil expectadores. O modelo de negócio escolhido pelas empreiteiras que construíram os palcos da Copa do Mundo também contempla experiências que partem do zero.

É o caso do grupo mineiro Andrade Gutierrez, que criou a Brio para gerir o estádio Beira Rio, em Porto Alegre, pertencente ao Sport Club Internacional. Para a tarefa foi nomeado o executivo Marcelo Flores, que comandava o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, no Rio de Janeiro. “A entrada de grandes grupos na área de gestão do esporte e entretenimento vai melhorar a profissionalização do setor”, diz Flores. Isso será importante especialmente na transição do comando dos estádios que ainda estão nas mãos do poder público ou de clubes de futebol. Um caso emblemático é o Mané Garrincha, em Brasília. No dia 26 de maio o governo do Distrito Federal fez o primeiro teste para aferir a viabilidade do estádio como fonte de geração de recursos. Na ocasião, a arena foi palco do jogo entre Flamengo e Santos, que marcou a despedida do craque Neymar.

O evento consumiu R$ 1 milhão e rendeu R$ 7 milhões. O sucesso, no entanto, é visto com cautela por consultores como Ricardo Araújo, especialista em gestão esportiva. Ele prevê dificuldades para algumas cidades que fazem parte do circuito da Copa de 2014, como Cuiabá e Manaus, em atrair interessados em seus estádios recém-construídos. Isso porque essas cidades não têm tradição no futebol e o jeito para rentabilizar as arenas seria tentar ganhar dinheiro com eventos musicais. O problema é que a elaboração de boa parte dos estudos de viabilidade econômica, para transformar estádios em arenas, tinha como cenário um mercado aquecido de shows, ao contrário do que acontece hoje. “Na época, a cantora baiana Ivete Sangalo fazia shows para até 50 mil”, lembra Araújo. Essa época de ouro, no entanto, ficou para trás.

FONTE: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/121146_CONSTRUTORAS+ENTRAM+EM+CAMPO

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