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Brasil deve dedicar atenção ao torcedor, diz dirigente do futebol alemão

“O Brasil tem que atrair os torcedores para os estádios. Dar conforto para quem vai assistir a uma partida de futebol e permitir que todos possam comprar ingressos.”

O conselho vem de quem soube aproveitar a organização de uma Copa do Mundo para transformar a história do futebol de seu país.

Jörg Daubitzer é o homem forte da DFL Sports Enterprises, o braço responsável pela área de marketing da Bundesliga, o Campeonato Alemão, competição que só cresce desde o Mundial de 2006.

Não é à toa que Bayern de Munique e Borussia Dortmund fizeram uma final 100% germânica na última edição da Liga dos Campeões da Europa, em maio.

E nem que a Alemanha tem hoje a segunda liga nacional mais rica do mundo, a com maior média de público.

“É inegável que o Mundial foi dos pontos que ajudaram no nosso crescimento, principalmente na parte de infraestrutura.

Afinal, 12 arenas foram construídas ou reformadas. O potencial econômico das ligas e dos clubes vai aumentar com a Copa. É preciso um planejamento benfeito para pavimentar isso.”

No caso dos alemães, a proposta foi clara: atrair o máximo possível de torcedores aos estádios e consequentemente aumentar o número de consumidores do futebol.

Nos últimos dez anos, a média de público da primeira divisão alemã saltou de 34.299 para 42.612 pessoas.

O crescimento de 24,2% transformou a competição na segunda liga nacional esportiva que mais atrai espectadores, atrás apenas da NFL, a liga do futebol americano.

Na atual temporada, sete dos 18 estádios da Bundesliga têm taxas de ocupação superiores a 95%. Resultado de uma estrutura confortável para torcedores dispostos a gastar mais dinheiro e que não exclui os menos abastados.

O preço médio do ingresso mais barato para as partidas do Alemão custa o equivalente a R$ 36. Como comparação, na Inglaterra é R$ 100.

“As pessoas são o que o futebol tem de mais importante. É para isso que o Brasil deve trabalhar. O torcedor tem de se sentir confortável e conseguir pagar pelos ingressos”, aconselha Daubitzer.

Mas o país-sede da Copa- 2014 não dá mostras de que vai adotar o modelo alemão.

Estudo da consultoria Pluri prova que os ingressos dos 20 clubes da primeira divisão brasileira tiveram reajuste médio de 49% em 2013. Efeito, sobretudo, dos altos preços cobrados pelos estádios construídos para o Mundial.

No clássico entre Fluminense e Botafogo, na quarta-feira passada, no Maracanã, estádio da final da Copa-2014, 44.397 dos 63.959 ingressos colocados à venda encalharam.

“Não soube de procura do comitê organizador brasileiro a dirigentes da Alemanha”, conclui o cartola.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2013/10/1352441-brasil-deve-dedicar-atencao-ao-torcedor-diz-dirigente-alemao.shtml

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