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A onda é construir, mas falta saber administrar

Clubes brasileiros ‘esquecem’ de contratar parceiro essencial ao planejar uma arena, o operador.

A Copa de 2014 inaugurou nova onda no futebol brasileiro: a construção de arenas multiuso. Equipamentos para o Mundial à parte, vários clubes já estão erguendo ou têm planejada a nova casa. São, entre outros, os casos de Palmeiras, Grêmio, Ponte Preta, Sport e Santos.

Esses clubes estão de olho nos lucros que praças capazes de abrigar jogos, shows e oferecer uma gama de serviços podem proporcionar. Um detalhe, porém, parece passar despercebido: depois de prontas, quem vai operar as arenas? O Brasil não possui expertise na área e o gerenciamento equivocado pode transformar um potencial ótimo negócio em tremenda dor de cabeça.

Para uma arena dar lucro precisa ser operada por empresa familiarizada em itens que vão desde a segurança do público à venda de eventos passando por limpeza e manutenção.

Um cuidado é fundamental ao se planejar uma arena. “O ideal é que um operador participe desde o momento de sua concepção. Não é recomendável um (uma empresa) construir e outro operar””, diz João Gilberto Vaz, vice-presidente de parceiras estratégicas da Arena do Brasil, subsidiária da Amsterdam Arena, considerada o equipamento mais bem administrado da Europa.

O risco da não integração nessa fase de concepção de projeto é o de, depois de pronta, a arena não oferecer as condições necessárias para determinado tipo de evento. “Imagina um equipamento que não tenha boa acústica para show ou cujo acesso não permita a passagem dos equipamentos. Aí, não vai ter show””, exemplifica João Vaz.

Erros de concepção podem custar caro, alerta Ricardo Azevedo, professor de comunicação e marketing e autor do livro O Brasil e a Copa do Mundo. “Há o risco de precisar reformar a arena logo depois da inauguração, para que possa atender ao que dela se esperava no início do projeto. A participação da operadora é importante desde o início.””

“Esquecimento””. O problema é que os clubes “esqueceram-se”” do detalhe chamado operadora ao desenvolver seus projetos. “Não contratamos””, admite Rogério Dezembro, diretor de novos negócios da WTorre, responsável por erguer a Arena Palestra. “Mas certamente nos ligaremos a alguém que saiba como operar.””

Ao menos a construtora recorreu à Amsterdam Arena ao conceber o projeto, o que pode evitar pesadelos futuros. O espaço multiuso deve estar pronto em 2013 e a construtora espera recuperar os R$ 330 milhões que serão investidos em cerca de 15 anos. Depois, será hora de lucrar.

A Ponte Preta não sabe quando irá começar as obras de sua arena para 30 mil pessoas, orçada em R$ 140 milhões. O projeto contempla centro de convenções, restaurante, praça de alimentação, museu e academia. Mas e o operador? “Ainda não temos. Por enquanto, fizemos contrato com construtora (do grupo Bertin)””, diz Márcio Della Volpe, diretor de marketing e gestor do clube.

O Grêmio ainda não decidiu se vai se associar a um operador para tocar a arena para 60 mil pessoas que planeja inaugurar em dezembro de 2012. “O Grêmio e a OAS (construtora responsável pela obra), em conjunto, vão administrar a arena por 20 anos””, diz o presidente da Grêmio Empreendimentos, Eduardo Antonini. “O que vamos definir é se a operação será terceirizada ou não.””

Antonini revela que 75% das receitas virão do futebol e que o Grêmio reservará 40 datas/ano para o futebol.

Ainda dá tempo. Os especialistas consideram que as arenas de clubes estão sendo concebidas de maneira errada, mas dizem ainda ser possível a correção. “É preciso acordar logo””, enfatiza João Vaz, que alerta: “Arena é uma coisa, estádio é outra””. Ricardo Azevedo acrescenta: “A operadora precisa entrar logo em campo””.

ITENS BÁSICOS

1. Ser sede de clube profissional. É o que garante o uso regular do espaço.
2. Ter bom sistema acústico. Fundamental para receber eventos como shows.
3. Acesso eficiente. Para o público e para qualquer tipo de equipamento.
4. Flexibilidade de calendário. Só assim é possível diversificar os eventos.

Por Almir Leite – O Estado de S.Paulo

FONTE: ESTADAO.COM.BR

 

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